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Simples Nacional vs Lucro Presumido: quando trocar economiza imposto?

A comparação que todo contador deveria fazer anualmente: descubra em qual faixa de faturamento o Lucro Presumido passa a ser mais barato que o Simples.

📅 2026-03-12 ⏱ 13 min de leitura

A escolha do regime tributário é a decisão fiscal de maior impacto para qualquer empresa — e ela precisa ser revisada todo ano. Muitas empresas pagam mais imposto do que deveriam simplesmente porque ninguém fez a comparação atualizada. Este artigo mostra quando o Lucro Presumido vence o Simples Nacional.

Como funciona cada regime

No Simples Nacional, todos os tributos federais, estaduais e municipais são unificados em uma guia DAS. A alíquota cresce progressivamente com o faturamento — de 4% para comércio no primeiro escalão até 33% para serviços nos escalões mais altos.

No Lucro Presumido, a Receita Federal aplica uma margem de lucro presumida sobre o faturamento (8% para comércio e indústria, 32% para serviços) e tributa essa base. IRPJ (15% + adicional de 10% acima de R$ 240k/ano), CSLL (9%), PIS (0,65%) e COFINS (3%) são calculados separadamente. ICMS e ISS continuam estaduais/municipais.

O ponto de virada para comércio

Para empresas comerciais no Simples Anexo I, a alíquota efetiva supera a carga do Lucro Presumido tipicamente a partir de R$ 2 milhões de faturamento anual. Abaixo disso, o Simples costuma ser mais barato pela simplificação do ICMS incluso.

A matemática: no Simples com faturamento de R$ 2,4M/ano, a alíquota efetiva fica em torno de 10,7%. No Lucro Presumido com as mesmas condições, a carga federal (IRPJ + CSLL + PIS + COFINS) fica em aproximadamente 6,73% para comércio — sem contar ICMS. Se o ICMS médio for inferior a 4%, o Presumido já é mais barato.

O ponto de virada para serviços

Aqui a análise muda radicalmente. Empresas de serviços no Anexo V do Simples (sem Fator R) pagam alíquota inicial de 15,5% — já superior ao Lucro Presumido em praticamente qualquer faixa. Para serviços com Fator R ≥ 28% (Anexo III), a alíquota inicial de 6% torna o Simples muito mais barato até faturamentos elevados.

Variáveis que a simulação precisa considerar

A comparação simples de alíquotas não é suficiente. Outros fatores que afetam o resultado real:

Créditos de PIS/COFINS: no Lucro Presumido, o regime é cumulativo (sem créditos). No Lucro Real, é não-cumulativo (com créditos de insumos). Para empresas com muitos insumos tributáveis, o Lucro Real pode ser melhor que os dois.

Distribuição de lucros: sócios de empresas no Lucro Presumido podem distribuir lucros isentos de IR acima do lucro presumido calculado. Isso pode gerar economia significativa em comparação com pró-labore tributado.

Custo de compliance: o Lucro Presumido exige contabilidade mais robusta, SPED, DCTF e outras obrigações acessórias. O custo mensal de contador no Presumido é 2 a 3× maior que no Simples.

Conclusão prática: a troca de regime vale quando a economia de imposto supera o aumento do custo contábil. Para a maioria das empresas, isso acontece entre R$ 1,5M e R$ 3M de faturamento anual — mas depende do setor, da margem real e da estrutura de custos. Use nossa calculadora para simular seu caso específico.
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